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Cansaço de Tarifas? Por que o Mercado está Trocando o Medo da Guerra Comercial pela Força do Consumo

29 de janeiro de 2026Fonte: MarketWatch

Investidores estão tirando o foco dos tribunais e colocando no caixa das empresas. Enquanto a batalha judicial sobre as tarifas da era Trump ganha corpo, a aposta é que uma economia resiliente será o verdadeiro motor da sua carteira, superando o ruído político.

O Que Aconteceu

Por muito tempo, o mercado de ações reagiu às notícias sobre comércio exterior como um gato escaldado: a qualquer menção de novas tarifas, o Ibovespa e o S&P 500 entravam em parafuso. Mas, ultimamente, o investidor criou 'casca'. Há um otimismo crescente de que o Judiciário americano possa limitar o alcance das políticas tarifárias agressivas iniciadas na gestão Trump.

No entanto, a história real não se resume a processos e togas. Enquanto a justiça caminha a passos de cágado, a economia real está em ritmo de Fórmula 1. Os investidores pararam de bitolar em cada ponto percentual de um possível imposto de importação; em vez disso, olham para as taxas de crescimento do PIB entre 2,5% e 3% e apostam que o consumidor — seja ele americano ou o resiliente consumidor brasileiro — pode manter o motor ligado, independentemente do que aconteça nas fronteiras.

Como observou um analista sênior de mercado: "O mercado já precificou o barulho geopolítico. O que ainda não foi totalmente digerido é a força bruta do setor de serviços doméstico". Essa mudança representa uma virada psicológica do 'retrancado' para o 'ataque' para muitos players institucionais.

O Jogo dos Números

Para entender por que o clima mudou, precisamos olhar para os dados. Apesar das manchetes de 'Guerra Comercial' dos últimos anos, a economia dos EUA registrou recentemente uma taxa de crescimento anualizada robusta de 3,3% no último trimestre, superando de longe as previsões sombrias de recessão que assombravam o mercado.

Além disso, o foco está mudando para os cerca de US$ 350 bilhões (aproximadamente R$ 1,7 trilhão) em comércio anual impactados por essas disputas. Embora pareça um número astronômico, ele representa uma fatia menor da economia total hoje do que representava há cinco anos. Os investidores estão apostando que, mesmo que as tarifas não caiam, a economia está grande e diversificada o suficiente para absorver o golpe sem precisar de 'estancamento de sangue'.

Quick Take

  • Limbo Jurídico: O mercado aposta que a Suprema Corte limitará o poder do Executivo de impor tarifas de forma unilateral.
  • Crescimento é Rei: Com o PIB resistindo bravamente, o 'fantasma da recessão' está sendo oficialmente exorcizado.
  • Poder do Consumidor: O gasto pessoal subiu 0.7%, mostrando que o público continua abrindo a carteira apesar das fricções comerciais.
  • Ponto de Virada: A narrativa mudou de "quanto as tarifas vão doer?" para "quanto a economia consegue crescer?".

Por Que Isso Importa

Por que você deveria se importar se um juiz em Washington decide o destino de um imposto sobre o aço importado? Porque isso muda para onde o 'smart money' (o dinheiro esperto) flui. Se a ameaça de uma guerra comercial é neutralizada, o capital sai de refúgios seguros, como o ouro ou o dólar, e volta para setores de crescimento, como tecnologia e manufatura.

Quando a economia 'carrega o piano', significa que seus investimentos e fundos de previdência dependem menos de um tweet ou de uma decisão judicial e mais dos lucros reais das empresas. Se as companhias mantêm margens de lucro mesmo com barreiras comerciais, elas provam ser eficientes e resilientes — duas qualidades que qualquer investidor adora.

Além disso, um recuo nas políticas tarifárias pode atuar como uma pressão deflacionária natural. Se os custos de importação caem, a inflação cede, dando ao Federal Reserve (e consequentemente ao nosso Banco Central via efeito cascata) mais espaço para considerar aqueles cortes de juros com que todos estão sonhando.

A Moral da História

Wall Street — e a Faria Lima por tabela — está cansada do drama das guerras comerciais e pronta para deixar os dados econômicos reais falarem mais alto do que a retórica política.