O 'Rei dos Títulos' ou os 'Dois Kevins'? A Corrida de Alto Risco pelo Trono do Fed
A disputa pela liderança do banco central mais poderoso do mundo virou um verdadeiro jogo de apostas. Enquanto Rick Rieder, da BlackRock, disparou na frente, a volatilidade da Casa Branca e a busca por 'lealdade' sugerem que o jogo ainda está longe de acabar.
O que aconteceu
Imagine a busca pelo novo presidente do Federal Reserve como uma final de reality show com apostas bilionárias. Há meses, o mercado financeiro global — da Faria Lima em São Paulo à Praça da Corujeira no Porto — tenta adivinhar quem substituirá Jerome Powell no comando do Fed. E o placar acaba de sofrer uma reviravolta dramática.
Rick Rieder, o chefe de renda fixa da BlackRock e uma figura lendária no mercado de títulos (o famoso 'Bond King'), tornou-se subitamente o favorito nas casas de apostas. Segundo a plataforma de previsão Kalshi, Rieder tem agora 48% de chances de levar o cargo. É um salto impressionante, considerando que, há apenas uma semana, o ex-governador do Fed, Kevin Warsh, era o favorito absoluto. Warsh caiu para o segundo lugar, com 31% de probabilidade.
Por que essa mudança repentina de humor? Tudo se resume a algumas palavras ditas no topo. Em entrevista no Fórum Econômico Mundial, Donald Trump chamou Rieder de "muito impressionante". Junte isso a relatos de que funcionários da Casa Branca são fãs do veterano de Wall Street, e o mercado de apostas entrou em frenesi. No entanto, como qualquer observador da política sabe, um elogio presidencial pode ser tão passageiro quanto a valorização de uma penny stock.
Quick Take
- O Favorito: Rick Rieder (BlackRock) lidera com 48% de chances na Kalshi.
- Os Desafiantes: Os "Dois Kevins" — Kevin Warsh (31%) e Kevin Hassett (Diretor do NEC) — continuam sendo os preferidos dos analistas tradicionais.
- O Fator Lealdade: Críticos argumentam que falta a Rieder o selo de "lealista" que o Presidente costuma priorizar.
- A Carta na Manga: Especialistas alertam que Trump ainda pode escolher um "candidato surpresa" que não está no radar atual.
Por que isso importa
Quem comanda o Federal Reserve segura o volante da economia global. Suas decisões sobre subir ou descer os juros impactam diretamente o dólar, o que por sua vez dita o ritmo do Ibovespa e o custo das importações em Portugal. É uma decisão que afeta desde o seu financiamento imobiliário até o preço do pão na padaria.
Wall Street (e os grandes bancos brasileiros e europeus) adora Rieder porque ele fala a língua do mercado. Ele gere triliões de dólares na BlackRock e entende as engrenagens do sistema financeiro melhor do que quase ninguém. Mas há um porém: o "Abismo da Lealdade". Analistas como Tobin Marcus, da Wolfe Research, duvidam que Rieder se encaixe no molde da administração.
Como Marcus observou em nota recente: "Ainda na semana passada, Trump continuava a enfatizar fortemente a 'lealdade' como critério, o que é um obstáculo para Rieder... Se esse ainda for o pensamento do Presidente, parece um problema óbvio para Rieder, que não é, de forma alguma, um lealista."
Além disso, há o "Fator Hassett". Enquanto alguns traders acham que Kevin Hassett está fora da jogada porque Trump disse que "sentiria sua falta" no Conselho Econômico Nacional, outros veem isso como um drible clássico. O ex-vice-presidente do Fed, Roger Ferguson, também não comprou o otimismo em torno de Rieder, afirmando acreditar que a escolha final ficará entre "um dos dois Kevins".
Conclusão
Embora o mercado de apostas esteja atualmente prevendo uma "invasão da BlackRock" no Fed, a realidade é que, nesta administração, a única sondagem que realmente importa é a de um único eleitor.